tudo, sem excesso. o excesso é próprio do ex-. cesso: todos.
logo, nenhum, mas todos; mais exatamente, aquele todo que se situa no mundo e no para-além da diferença, puro infinito dissolvido em qualquer espaço apresentável (ou que tenha se feito apresentação)
me amam me devoram me veneram me contemplam me preenchem me circundam me adoram me figuram me são:
grande mãe descaroçada que sou:
amo, devoro, venero, contemplo, preencho, circundo, adoro, figuro, sou,
senão em mim mesma,
boa terra, labiosa, dos grandes lábios de se morder.
18 de julho de 2013
erotomania
9 de julho de 2013
chega o estrangeiro vestido de formas estranhas vestido de cores estranhas vestido de gestos estranhos prometendo recreios visões e ultrapassagens que nunca vivi garantindo diferença ou minha inteireza de volta topei fomos
ao parque de diversões que tocava eurodance dos anos noventa na montanha russa dominação submissão no trem fantasma tristeza plástica alegria mais plástica ainda no navio pirata êxtase desespero gritos calma rubor na barraquinha milho cozido e uma manteiga que nunca tinha provado e que é muito saborosa
ao cinema de rua antigo assistir a um filme cinza que falava sobre metafísica e verdade e outros mitos (confesso que cochilei) os comentários do estrangeiro eram melhores do que o filme ele perguntando sempre se eu estava acompanhando respondia estou acompanhando e entendendo? estou estou mas e deus aparece em qual cena e ele desconversava ria perguntava se eu tinha gostado de suas formas cores gestos e não entendia e escolhia ficar calado
à estação de trem ver as pessoas que se moviam sem saber se íam ou se partiam e ele sorria todo grato dizendo somos estrangeiros na própria casa e eu concordava somos todos de casa na própria estranheza e ele me beijava a boca na mora da angústia dizendo que iria embora mas que voltaria e eu via ele se indo mesmo sabendo que chegava deixando o choro por minha conta na promessa do próximo encontro em que íamos ao mar.
ao parque de diversões que tocava eurodance dos anos noventa na montanha russa dominação submissão no trem fantasma tristeza plástica alegria mais plástica ainda no navio pirata êxtase desespero gritos calma rubor na barraquinha milho cozido e uma manteiga que nunca tinha provado e que é muito saborosa
ao cinema de rua antigo assistir a um filme cinza que falava sobre metafísica e verdade e outros mitos (confesso que cochilei) os comentários do estrangeiro eram melhores do que o filme ele perguntando sempre se eu estava acompanhando respondia estou acompanhando e entendendo? estou estou mas e deus aparece em qual cena e ele desconversava ria perguntava se eu tinha gostado de suas formas cores gestos e não entendia e escolhia ficar calado
à estação de trem ver as pessoas que se moviam sem saber se íam ou se partiam e ele sorria todo grato dizendo somos estrangeiros na própria casa e eu concordava somos todos de casa na própria estranheza e ele me beijava a boca na mora da angústia dizendo que iria embora mas que voltaria e eu via ele se indo mesmo sabendo que chegava deixando o choro por minha conta na promessa do próximo encontro em que íamos ao mar.
3 de julho de 2013
atesto, para fins de transmissão, passagem ou transcendência, que eu,
estado de coisas, possuo competência e estou apto a lidar com a
gramática sexual dos corpos, dado o rebatismo de fumaça aos meus pulmões
ocorrido por meio do consumo fálico compressado de tabaco, papel e filtro,
realizado na madrugada do dia vinte e nove de junho de dois mil e treze, com o
intuito de amenizar os sofrimentos de se ter um furo necessário e não
padecer de outros virtualismos além dos que fundam esta imagem que
designo como eu, estado de coisas, atesto também a função primitiva
que me foi conferida biologicamente e cerceada em nome do pudor e das
boas morais, agora ajustada à figuração desta nomeação ausente de significações vindas da alteridade que outrora me preencheu.
16 de junho de 2013
"Homem nu é achado vivo nas margens do Rio Infindo."
"Acusado de andar às margens do Rio Infindo, homem nu pesca, caça e se alimenta."
"Homem-do-rio dorme nu à noite."
"Homem-do-rio, ao tomar banho nu no rio, assusta a população local."
"Homem-do-rio não mostra pudor ao urinar e defecar nu."
"Polícia investiga os hábitos do homem-do-rio nu."
"Padres e gurus e xamãs estudam o morador do Rio Infindo."
"O caso do Rio Infindo: polícia pede ajuda a parapsicólogos."
"Homem-do-rio é visto conversando sozinho em língua desconhecida nas margens do Rio Infindo."
"População se assusta com a língua estranha do morador nu do Rio Infindo."
"Polícia investiga a História do homem-do-rio."
"Polícia investiga a Origem do homem-do-rio."
"Polícia investiga a Língua do homem-do-rio."
"Padres e gurus e xamãs e polícia e parapsicólogos se unem para estudar o fenômeno do morador do Rio Infindo."
"Furo! Desnudada toda a Verdade sobre o homem-do-rio nu."
"Homem-do-rio nu se banha pela manhã."
"Homem-do-rio nu caça à tarde."
"Homem-do-rio nu dorme à noite."
"População está revoltada com a conduta da Inteligência com o caso do nu do Rio Infindo."
"Inteligência diz que se valeu de meios legítimos para vestir o homem-do-rio com a sua Verdade."
"Rio Infindo é palco de acontecimento: morador desnudo desaparece."
"Testemunha diz que Homem-Infindo se dissolveu no Rio Nu."
"Acusado de andar às margens do Rio Infindo, homem nu pesca, caça e se alimenta."
"Homem-do-rio dorme nu à noite."
"Homem-do-rio, ao tomar banho nu no rio, assusta a população local."
"Homem-do-rio não mostra pudor ao urinar e defecar nu."
"Polícia investiga os hábitos do homem-do-rio nu."
"Padres e gurus e xamãs estudam o morador do Rio Infindo."
"O caso do Rio Infindo: polícia pede ajuda a parapsicólogos."
"Homem-do-rio é visto conversando sozinho em língua desconhecida nas margens do Rio Infindo."
"População se assusta com a língua estranha do morador nu do Rio Infindo."
"Polícia investiga a História do homem-do-rio."
"Polícia investiga a Origem do homem-do-rio."
"Polícia investiga a Língua do homem-do-rio."
"Padres e gurus e xamãs e polícia e parapsicólogos se unem para estudar o fenômeno do morador do Rio Infindo."
"Furo! Desnudada toda a Verdade sobre o homem-do-rio nu."
"Homem-do-rio nu se banha pela manhã."
"Homem-do-rio nu caça à tarde."
"Homem-do-rio nu dorme à noite."
"População está revoltada com a conduta da Inteligência com o caso do nu do Rio Infindo."
"Inteligência diz que se valeu de meios legítimos para vestir o homem-do-rio com a sua Verdade."
"Rio Infindo é palco de acontecimento: morador desnudo desaparece."
"Testemunha diz que Homem-Infindo se dissolveu no Rio Nu."
12 de junho de 2013
(vô, lembra de quando íamos à sua casa, casa da vó, mas também sua, nas visitas felizes de quem morava longe, e a gente tomava mineirinho no gargalo da garrafa de vidro, o gosto dos marques e deixes da nossa família, deixes que vinham nos barquinhos de jornal que era um hábito antigo seu com meu irmão, vô, e que eu não via muita graça, e o aparador em frente à mesa da televisão, visão mais futura do que seria a família e que ninguém saberia dizer por quê, e o aparador cheio de barcos, lindos, seus, que nunca acessei para dizer nossos, não sabia fazer barcos de papel, só avião, mas mesmo assim, vô, mesmo assim, participava daquilo, via os barcos montados e me angustiava, aquele hábito que não era meu, nunca acessei, me endereçava e interessava pela programação triste da tv pra fugir dessa emoção toda de ter a nossa família unida, eu, você, meu irmão, meu pai, você mais sincero se dava aos choros, sem nenhum soluço, vô, por que não deixar sair a fala?, e eu me assustava, pai do meu pai aos choros, todo comovido, que homem, acabamos todos assim, que será que ele segura?, e entendia a sua seriedade de sempre, é não deixar sair para a coisa se perder por si, é preciso resistir, vô, é assim mesmo, se sair água, os barcos vão embora, aparar a dor além dos nossos lugares de irmão, filho, neto, pai, homem. então segura, vô. e me desculpa hoje, que hoje eu choro também, e me desculpa hoje, que eu seguro também, e me desculpa hoje, que sei fazer barcos de papel, e me desculpa hoje, que compro mineirinho no supermercado e bebo sozinho, e me desculpa hoje, que hoje não sou o da visão do telos.)