11 de julho de 2015

entre o corredor e o quarto

parado, com um braço pendente e o outro servindo de máscara, rosto afundado na dobra do cotovelo, respiração modificada pela compressão do nariz ou por alguma irritação imponderada, visão ofuscada de nada a ver, ombros curvados de quem há muito se cansou do mundo, emoldurado por uma luz de sol quente que incide nas costas, ali, em repouso no vão, em vão, tu, antes de jogar este peso de corpo chamado à cama, esperando pelo convite a se perder nos giros do amor de um homem fóbico.

25 de junho de 2015

condição de uma tarde

uma dança de moleza e cansaço: corpos juntos sem simetria: o peso dos quadris e a leveza dos olhos

30 de maio de 2015

me vi animalesco em uma famosa cidade qualquer em frente a uma praça sob a lua e cansado das grandes caminhadas movidas pela escravidão de olhar na condição de turista em busca de uma prova que poderia constatar presença em território estrangeiro além de ímãs e chaveiros temáticos comprados às pressas sob o selo de registro de uma experiência desenrraizada dos dias comuns em que vivi no que ingenuamente chamo de minha cidade tendo por subversão o minuto em que inventei uma posse de uma cidade ou um rosto para a ilusão de eternidade enquanto o mundo ria do meu desconforto frente à câmera e extraía uma imagem eu rosto oleoso e sorriso falso escorado em um parapeito com o fundo do que você indicaria como arquitetura única seguido de um silêncio acusador diante do desinteresse que não escondi pela então nomeada belíssima e excêntrica catedral de são basílio

25 de maio de 2015

ronaldo dionísio da costa
nascido em 1979
des-apareceu em 1988
aos 9 anos
em planaltina, df

hoje com mais de 35 anos
não se sabe se
o menino ronaldo
tem ou teria
história e família para seu não lugar

notado em ausência
dezessete dias depois de seu aniversário
um feito dionísio
decidindo se demora
o tempo de outra vida

denotado pela
secretaria de estado de desenvolvimento social e transferência de renda
dá as costas
ao rosto em cartazes
à busca do ainda buscado

nem por quê, por quem
nenhum rastro do ter sido
mais de 25 anos de procura
talvez por um nome (que resta)
ronaldo dionísio da costa

15 de maio de 2015

esta abelha rondando sua orelha
me faz imitar zumbido, querer ser
igual falar bem íntimo
beber da sua coca-cola
nadando bebendo afogando
fugir do seu gesto vai embora
mas voltar eu-abelha
ferrar braço e perna
por instinto por paixão