17 de agosto de 2015

saudade daquele bailinho

blade runner blues tocando: silêncio dos órgãos: um testemunho: meditação das pedras.

11 de agosto de 2015

quando eu for no foguetão
vou descalço rindo
sundown e cheetos
domingo de todos nós
quase pedindo para não ir
e ir com mais gosto de ir
só pelo não

quando eu for no foguetão
sozinho de pai e mãe
atravessar a ponte
grito surdo sem medo
areia de memória em grão
"é só um brinquedo"
subindo mais alto mais alto

quando eu for no foguetão
já irritado com vida
estourar vermelho o branco
cabeça de criança
do topo à descida
esperando lançamento
ou morte nas serralherias

27 de julho de 2015

(nos fins de tarde, a banda municipal ensaiava. era programação se sentar à varanda e escutar. com pouca ou nenhuma companhia, no alpendre, meus avós. quem estivesse ali de passagem pela calçada ou em visita, aproveitava a cena, chorava algumas memórias insuperáveis ou apenas conversava qualquer bobagem. boas-noites eram distribuídos. ali, quem fumasse, fumava, quem bebesse, bebia. quem calasse, calava. terminado e apreciado o ensaio da banda, eram recolhidos os restos de gente e palavra. e a vida, quando ainda era vida, continuava morosa, amena, meio suspensa.)

22 de julho de 2015

paira no ar

distante da terra
o lago paranoá
sonhando, até.

11 de julho de 2015

entre o corredor e o quarto

parado, com um braço pendente e o outro servindo de máscara, rosto afundado na dobra do cotovelo, respiração modificada pela compressão do nariz ou por alguma irritação imponderada, visão ofuscada de nada a ver, ombros curvados de quem há muito se cansou do mundo, emoldurado por uma luz de sol quente que incide nas costas, ali, em repouso no vão, em vão, tu, antes de jogar este peso de corpo chamado à cama, esperando pelo convite a se perder nos giros do amor de um homem fóbico.