qual assunto ousa
romper o pacto ::: ter
amor noutra coisa
2 de janeiro de 2020
26 de dezembro de 2019
inventário
para um poema sobre amor
chamas, ardores
lábios, colos
vibradores, algemas etc
para um poema sobre ódio
fogos, bílis
facas, maldições
guerras, planos de saúde etc
para um poema sobre espaço
salas de dentista, noites
labirintos, torres
auroras, jardins zoológicos etc
para um poema sobre tempo
ampulhetas, relógios
deuses soterrados, cristo
hospitais, cemitérios etc
para um poema sobre poemas
livros, penas
blocos de notas, dicionários
poços que ressoam, feijões etc
para um poema sobre finitude
praias, desertos
dores de dente, becos sem saída
religiões, mcdonald's etc
para um poema sobre infinitude
etc etc
chamas, ardores
lábios, colos
vibradores, algemas etc
para um poema sobre ódio
fogos, bílis
facas, maldições
guerras, planos de saúde etc
para um poema sobre espaço
salas de dentista, noites
labirintos, torres
auroras, jardins zoológicos etc
para um poema sobre tempo
ampulhetas, relógios
deuses soterrados, cristo
hospitais, cemitérios etc
para um poema sobre poemas
livros, penas
blocos de notas, dicionários
poços que ressoam, feijões etc
para um poema sobre finitude
praias, desertos
dores de dente, becos sem saída
religiões, mcdonald's etc
para um poema sobre infinitude
etc etc
20 de dezembro de 2019
24 de outubro de 2019
pós-banho
cheiro de sabonete
formas embaralhadas à
estampa da toalha enrolada
à cintura pele úmida
no rosto os poros distensos
reflexo turvado por vapor
d'água pairando sobre
minha expressão fugidia uma
fresta desembaçada torna
visível a espuma os ossos
que apontam do outro
lado o outro (o que separa
o desamparo da onipotência
é um risco) vejo um rosto
pouco barbado meu olhar
incisivo sobre o desenho
o trajeto a altura dos pêlos sempre
tão próximos às linhas azuladas
que se guardam a correr
por dentro um medo se
ajusta (de perder a medida
o ritmo) enquanto decido
por trato ou acabamento
do excesso à escassez
pauso e espero
nas mãos o navalhete
que em cordato pulso e
aberto para a lâmina
(não escorrem ainda
as linhas fechadas)
já fixada impõe o corte
rente e exato como
estes versos também
mal aparados
formas embaralhadas à
estampa da toalha enrolada
à cintura pele úmida
no rosto os poros distensos
reflexo turvado por vapor
d'água pairando sobre
minha expressão fugidia uma
fresta desembaçada torna
visível a espuma os ossos
que apontam do outro
lado o outro (o que separa
o desamparo da onipotência
é um risco) vejo um rosto
pouco barbado meu olhar
incisivo sobre o desenho
o trajeto a altura dos pêlos sempre
tão próximos às linhas azuladas
que se guardam a correr
por dentro um medo se
ajusta (de perder a medida
o ritmo) enquanto decido
por trato ou acabamento
do excesso à escassez
pauso e espero
nas mãos o navalhete
que em cordato pulso e
aberto para a lâmina
(não escorrem ainda
as linhas fechadas)
já fixada impõe o corte
rente e exato como
estes versos também
mal aparados